DF: 33 cidades do Entorno escolheram prefeitos e vereadores

As urnas estão a postos para receber, mais uma vez, os eleitores que escolhem a gestão de prefeitos e vereadores nos municípios brasileiros pelos próximos quatro anos. Embora o Distrito Federal não participe das eleições de 2020, os olhos estão atentos ao Entorno. A Região Integrada de Desenvolvimento do Distrito Federal e Entorno (Ride/DF) é composta por 33 cidades, sendo 29 delas em Goiás, e quatro em Minas Gerais. Juntos, esses locais são lar de 1,63 milhão de habitantes, de acordo com os últimos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), dos quais 920,6 mil estão aptos a votar, conforme informações do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

 As três cidades mais populosas estão a menos de 50km de Brasília. São elas: Águas Lindas, Luziânia, e Valparaíso de Goiás. De toda a região metropolitana, diariamente, centenas de pessoas saem, em direção ao DF, para trabalhar, estudar, buscar serviços de saúde, comer e se divertir. É esse movimento que faz com que, na avaliação de especialistas, haja um reflexo direto entre os resultados do pleito municipal e a única unidade federativa onde não há prefeitos nem vereadores.

César Bergo, presidente do Conselho Regional de Economia do Distrito Federal (Corecon-DF) explica a relação econômica entre DF e Entorno. “As pessoas do Entorno contribuem fortemente para o desenvolvimento econômico da capital. A maioria das suas compras é feita no DF. Trabalham aqui e vão para casa para dormir. Em termos de números de habitantes, praticamente um quarto da população da região metropolitana do DF mora nessas cidades.”

Ele lembra do impacto social, principalmente, no que diz respeito à população de baixa renda que vive em municípios próximos. “Transporte e saúde são problemas graves, e que, muitas vezes, sobrecarregam o DF, porque tem que buscar soluções que caberiam ao governo de Goiás”, critica. “Essas cidades vizinhas cresceram absurdamente. Mesmo que o Governo do Distrito Federal (GDF) queira fazer algo, depende muito do estado de Goiás”, ressalta. “Em Brasília, temos, também, regiões carentes. O DF não vai deixar de investir no Sol Nascente para investir em Águas Lindas, por exemplo”, argumenta Bergo.

Para o economista, investir em um relacionamento saudável entre os dois governos é o que permitirá um crescimento de ambas regiões. “Os políticos que forem eleitos devem pensar em uma plataforma de cooperação com o DF, que implique em investimentos, até mesmo, dos dois, como parcerias que incluam atividades sociais, segurança pública e educação”, elenca. “Permitir que essa população fique no ambiente onde mora. Muitas vezes, uma família toda vem ao DF por emprego, saúde. Essas parcerias são fundamentais e precisam priorizar áreas importantes, como o transporte. As pessoas demoram três horas para se deslocar, em função de distância e engarrafamento. É muito injusto”, diz o presidente da Corecon-DF.

Desafios

Na avaliação de especialistas, aqueles que forem escolhidos para assumir os cargos, a partir de janeiro de 2021, terão pela frente, no Entorno, problemas semelhantes. Robert Bonifácio, cientista político e professor do curso de Ciência Política da Universidade Federal de Goiás (UFG), destaca saúde, transporte e segurança pública como os três pilares problemáticos em comum na região metropolitana. “Em termos de segurança pública, ela acaba ficando menos importante na campanha municipal, porque, embora o prefeito possa fazer ações que ajudem a melhorar, como iluminação pública e esquemas de guardas municipais, essa é uma questão estadual”, pontua.

Ele acredita que é fundamental que os gestores pensem, então, em uma maneira de garantir autonomia aos municípios. “A massa populacional do Entorno é grande, de baixa renda, em geral, e que vive a vida do Plano Piloto. As referências hospitalares, de emprego, economia, tudo é baseado no DF”, destaca Robert.

O cientista político lembra que toda a área do Entorno tem papel significativo quando se trata de eleições estaduais. “É uma região populosa e que faz diferença.” Contudo, quando se pensa em famílias que vivem, parte no DF, parte em um estado vizinho, há um reflexo da escolha dos representantes municipais. “É difícil separar o joio do trigo, porque, se você tem um pai que mora em Valparaíso e um filho que vive em Taguatinga, existem, ali, percepções cruzadas. Teoricamente falando, há uma influência do Entorno para o DF, mas que é difícil de captar”, pondera.

Robert acrescenta que a escolha dos vencedores pode até ter interesse maior para o GDF do que para o governo de Goiás, quando se pensa, por exemplo, que uma gestão que construa hospitais de qualidade permitirá que os moradores deixem de demandar os serviços públicos de saúde da capital federal. De olho no pleito de 2022, no entanto, recai sobre os governantes do estado mostrar presença em uma tentativa de atrair eleitores.