No Outubro Rosa, HBDF fica sem remédios para quimioterapia de pacientes com câncer

A unidade de referência oncológica está desabastecida de pelo menos dois medicamentos quimioterápicos por inadimplência com fornecedores

 

Agrave crise financeira vivida pelo Instituto de Gestão Estratégica de Saúde (Iges-DF) não afetou apenas a compra de papel higiênico e sabonetes, conforme revelado pelo Metrópoles. Em plena campanha do Outubro Rosa, os pacientes com câncer que dependem da quimioterapia do Hospital de Base (HBDF) estão sem realizar o tratamento por falta de pagamento a fornecedores.

Dois medicamentos quimioterápicos específicos estão em falta na unidade hospitalar, uma das referências no tratamento oncológico no Distrito Federal. Um deles é o Docetazel, usado em casos de câncer de mama, de pulmão, do ovário e da próstata, por exemplo. O outro é o Cloridrato de Doxorrubicina que, além de tratar os mencionados diagnósticos, é indicado para câncer de tireoide e de bexiga.

A quimioterapia é um dos recursos mais adotados por médicos oncologistas para tentar inibir os avanços da doença no organismo do paciente. Se o tratamento é interrompido ou mesmo não realizado de maneira adequada, a sua eficácia cai consideravelmente, o que aumenta o risco de a doença retornar.

“A gente tem recebido pacientes oncológicos que buscam ajuda para manter o tratamento, já que o Hospital de Base está sem os medicamentos. Criamos uma assessoria jurídica específica para cuidar dessas denúncias, porque, no caso do câncer, o tempo pode ser um grande aliado, mas também o maior adversário”, explica Christiano Ramos, presidente da Amigos da Vida – organização não governamental que dá suporte a pessoas sem condições de custear o próprio tratamento.Ramos demonstra preocupação pelo fato de a unidade de referência estar passando pelas atuais dificuldades, mas orienta os pacientes e familiares a procurar o auxílio da ONG.“Tivemos um caso de uma senhora que foi diagnosticada com câncer no útero e ficou sem o tratamento adequado. Quando ela foi perceber, a doença já havia afetado os pulmões e resultado num quadro de metástase [quando células doentes alcançam órgãos diferentes da região do câncer primário]. Nesse caso, a agilidade faria toda a diferença para evitar esse quadro, infelizmente”, lamentou.

A compra dos medicamentos em falta no Hospital de Base está impedida como resultado da inadimplência do Iges-DF com os fornecedores. A reportagem apurou que as faturas estão há pelo menos três meses sem pagamento, o que bloqueou novas aquisições.

Caso o atual cenário não seja revertido, há um risco iminente de desabastecimento de mais de 60% dos quimioterápicos dentro do estoque disponível no instituto que administra o HBDF.

Com Metrópoles