Estados Unidos reduzem cota de importação de aço do Brasi

O governo dos Estados Unidos anunciou que vai reduzir a quota para as exportações do aço semi-acabado do Brasil. A medida, segundo o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, se deu porque houve mudanças significativas no mercado de aço dos Estados Unidos, que se contraiu em 2020, depois de aumentar em 2018 e 2019.

Trump disse ainda, em comunicado, que as exportações dos produtores norte-americanos caíram 15% no primeiro semestre de 2020, e que a utilização da capacidade instalada das empresas do setor estava abaixo de 70%, até o dia 15 de agosto.

“Além disso, as importações da maioria dos países diminuíram este ano de maneira compatível com essa contração, enquanto as importações do Brasil diminuíram apenas ligeiramente”, afirmou Trump ao anunciar a redução.

Brasil

Em nota conjunta, publicada na noite de sábado (29), os ministérios das Relações Exteriores e da Economia afirmaram que apesar da redução, as tarifas sobre o comércio bilateral do aço intra-quota permanecerão isentas, a exemplo do que ocorreu em 2019. Segundo a nota, uma rodada de negociação entre os dois países será realizada em dezembro.

“O governo brasileiro mantém a firme expectativa de que a recuperação do setor siderúrgico dos EUA, o diálogo franco e construtivo na matéria, a ser retomado em dezembro próximo, e a excepcional qualidade das relações bilaterais permitirão o pleno restabelecimento e mesmo a elevação dos níveis de comércio de aço semi-acabado. Essa perspectiva coaduna-se com os atuais esforços conjuntos de integração ainda maior das economias dos dois países”, diz a nota.

Há dois anos, o governo do presidente Donald Trump começou a adotar medidas que afetaram as exportações brasileiras. A primeira foi a imposição, em março de 2018, de quotas para as compras de aço brasileiro e a taxação de 10% das compras de alumínio do país.

Em dezembro do ano passado, Trump já havia anunciado a intenção de reduzir as quotas de exportação do aço brasileiro, mas recuou após negociações com o governo brasileiro.

Na ocasião, o Instituto Aço Brasil, entidade representativa dos produtores de aço no País, disse que recebeu a decisão com perplexidade. Em posicionamento publicado em sua página na internet, o instituto disse que a decisão era uma retaliação ao Brasil, e que a medida acabaria “por prejudicar a própria indústria produtora de aço americana, que necessita dos semiacabados exportados pelo Brasil para poder operar as suas usinas.”

Queda no semestre

A produção de aço bruto brasileira caiu 17,9% no primeiro semestre deste ano, alcançando 14,219 milhões de toneladas, contra 17,324 milhões de toneladas em igual período do ano passado. A queda foi atribuída aos 13 altos-fornos paralisados em função da pandemia, dos quais três retornaram à atividade, disse no final de julho, em coletiva virtual à imprensa, o presidente executivo do Instituto Aço Brasil, Marco Polo de Mello Lopes. Foram paralisadas, também por conta da crise, oito aciarias e três laminações.

Nos seis primeiros meses de 2020, as vendas internas caíram 10,5%, com maior retração observada nos produtos planos (-14,5%), que envolvem chapas e bobinas para as indústrias automotiva e de transformação. Nos produtos longos, direcionados à construção civil, a queda foi 5%.

As exportações em volume somaram 6,147 milhões de toneladas, redução de 8,1% em comparação ao primeiro semestre do ano passado, enquanto as importações, com total de 1,044 milhão de toneladas, sofreram queda de 17%. O consumo aparente somou 9,316 milhões de toneladas, diminuição de 10,5% no período analisado.

Os dados apresentados pelo Instituto Aço Brasil revelam que a indústria do aço do Brasil se acha atualmente em patamar similar ao de 15 anos atrás. Devido ao processo recessivo, as variações acumuladas entre 2013 e 2019 são negativas em 22,9% nas vendas internas e em 25,1% no consumo aparente. Mello Lopes chamou a atenção que a análise de 2019 também evidencia queda em relação ao ano anterior de 8% na produção de aço bruto, 0,6% nas vendas internas, 8,2% nas exportações, 1,7% nas importações e 1,1% no consumo aparente.

Com Agencias