Desfazimento do Centrão pode levar Bolsonaro a trocar cadeiras no Planalto

Deslocamento

A saída do MDB e do DEM do Centrão na Câmara vai levar o presidente Jair Bolsonaro a promover novas mudanças no primeiro e segundo escalões do governo. O presidente abriu as portas do Planalto para os partidos do bloco, que antes tinha 221 parlamentares e agora só conta com 158 dos 513 deputados. Bolsonaro havia se aproximado do Centrão para conseguir aprovação de pautas, mas parte do grupo roeu a corda e promoveu uma derrota ao governo na votação do Fundeb. Cabeças vão rolar até que o governo se reorganize no Congresso.

Desfazimento

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), se manifestou nesta terça-feira (28/7) sobre a saída do DEM e do MDB do bloco que reúne partidos Centrão na Casa. O parlamentar disse que o “desfazimento” do grupo é natural e “segue um padrão estabelecido pela prática congressual”. “Nada tem a ver com a eleição para a Mesa Diretora em 2021”, afirmou em nota. O presidente Bolsonaro já demonstrou que pensa diferente e o deputado Arthur Lira (Progressistas-AL), pupilo de Bolsonaro no Centrão, já fala como pré-candidato à Mesa Diretora reforçando a tese de desfazimento do bloco por conta da eleição da Mesa. Será que estamos vendo nascer um novo bloco na Câmara?

Novo normal

Para retomar as sessões, o Senado montou sete terminais de votação secreta fora do Plenário. Três deles para o modelo drive thru, na Chapelaria (entrada principal do Congresso). Esses, exclusivos para os senadores do grupo de risco. Eles poderão votar de dentro do carro, quando passarem em frente aos totens. Outros quatro estão dentro do Senado e qualquer senador poderá utilizar. Estão distribuídos assim: dois próximos à barbearia e outros dois no Salão Azul, em frente ao Plenário. Pelo sistema de votação remoto, utilizado desde o início da pandemia, não é possível fazer as votações secretas.

Drive thru

A partir da segunda semana de agosto, o Senado retomará as sessões presenciais. Para evitar aglomerações, a Casa lançou um modelo de votação “drive thru” fora do plenário. Os equipamentos serão utilizados para votações secretas, àquelas para indicação de embaixadores, conselhos da Justiça, direção do Banco Central e agências reguladoras. Também serão utilizados para votações secretas da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) e CRE (Comissão de Relações Exteriores).

Quem é que manda?

A Câmara dos Deputados apresentou ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta terça-feira (28) dois pedidos de anulação das buscas realizadas nos gabinetes dos deputados Paulo Pereira da Silva (SD-SP) – o Paulinho da Força – e Rejane Dias (PT-PI). A ofensiva contra a primeira-dama do Piauí, que teve o aval da ministra Rosa Weber, do STF, investiga suspeita de desvios de recursos da Educação no Estado. Na prática, a Câmara quer impedir que juízes da primeira instância sigam determinando operação de busca e apreensão em gabinetes do Congresso.

Quem dá mais

Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas, órgão do Ministério da Justiça e Segurança Pública, vai leiloar nesta quarta-feira, 29, 15 diamantes e 5 lingotes de ouro de 4,5 quilos que pertenciam ao ex-governador do Rio Sérgio Cabral. As joias e barras de ouro 24 quilates são avaliados em mais de R$ 3,8 milhões e foram confiscados no âmbito de investigações contra o ex-governador fluminense, hoje condenado a mais de 280 anos de prisão.