Tarde promete ser movimentada no Planalto e os embates em torno da covid continuam

Agenda lotada

O presidente Jair Bolsonaro começou o dia com gás. Mesmo sem agenda oficial prevista, Bolsonaro chegou ao Planalto às 08h40 e começou a segunda-feira evitando falar com a Imprensa. Nesta tarde ele se reúne com os ministros da Economia, Paulo Guedes, e das Relações Exteriores, Ernesto Araújo. Em pauta a Covi-19, pautas no Congresso, além de apoio financeiro a pequenos empresários e o tão comentado auxilio emergencial. Por enquanto, a agenda só tem espaço para a pandemia e para aparar arestas.

Incoerência

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, continua defendendo que as novas parcelas da prorrogação do auxílio emergencial se mantenham no valor de R$ 600. O propósito é desgastar o governo federal junto aos beneficiários do programa. O ministro Paulo Guedes, da Economia, já sinalizou que os cofres públicos não suportariam esse valor, que equivale por mês, ao orçamento de um ano de todo o Bolsa Família.

No limite

Por falar nisso, o presidente Jair Bolsonaro continua insistindo que o Congresso pode estipular o valor que quiser para o coronavoucher. No entanto, senadores e deputados devem dizer de onde o dinheiro vai sair. O Palácio do Planalto anunciou que até pode prorrogar o auxilio por três meses, mas é preciso apresentar uma proposta condizente com a capacidade de endividamento dos cofres públicos. Afinal, dinheiro não dá em árvore.

Recuo estratégico

O presidente Jair Bolsonaro deixou de comparecer aos atos de protestos que normalmente ocorrem em Brasília nos fins de semana. Se é estratégico, o tempo dirá. O fato é que um levantamento divulgado nesta segunda-feira (29) pelo Datafolha aponta que 68% da população enxergam as manifestações contra o Congresso Nacional e o STF como uma ameaça à democracia. Sem contar que esses atos estão na mira da PF. Bolsonaro, talvez, queira evitar polêmicas e até novas críticas aos poderes. O momento é de bandeira branca.

S.O.S.

Na tentativa de pedir mais ajuda da União, o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, decretou na manhã desta segunda-feira (29), calamidade pública em decorrência da pandemia causada pelo novo coronavírus. Até agora, Covid-19 já matou 501 pessoas no DF. Além de dinheiro, é claro, o DF quer mais insumos. Dizem, aqui em Brasília, que a situação está fugindo ao controle.

Fundo do poço

Em meio ao enfrentamento da pandemia de Covid-19, o caixa do Governo Federal registrou um déficit primário de R$ 126,609 bilhões em maio, o pior desempenho da série histórica – iniciada em 1997 – para qualquer mês. O resultado, que reúne as contas do Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central, sucede o déficit de R$ 92,902 bilhões de abril, que já havia sido recorde negativo. Em maio de 2019, o resultado havia sido deficitário em R$ 14,743 bilhões.

Rapa do tacho

Em Cuiabá, dizer “remedeia com o que tem” é o mesmo que dizer “se vira”. Pelo andar da carruagem é o que os governadores vão ouvir daqui a pouco. Não há mais dinheiro da União e não há de onde tirá-lo. Talvez, a solução para amenizar o avanço da doença seja aplicar de forma mais técnica as medidas de isolamento social e também punitivas para quem descumprir as regras. Não será comprando mais UTIs e construindo novos leitos que vão vencer a covid-19. O esforço deve ser de todos.