Nono voo com deportados dos EUA chega em Confins, na Grande BH

 

Mais um voo com brasileiros deportados dos Estados Unidos chega ao Aeroporto Internacional de Belo Horizonte, em Confins, na Grande BH, nesta segunda-feira (16). Esta será o nona viagem que traz 57 pessoas.

De acordo com a assessoria da BH Airport, concessionária que administra o terminal, elas vão desembarcar às 13h30 no aeroporto de Confins.

Em outubro de 2019, chegou a Belo Horizonte o primeiro voo, com cerca de 70 pessoas. O desembarque marcou a retomada de uma medida que não era aceita pelo Brasil desde 2006, quando o Itamaraty alterou a política de trato de brasileiros no exterior.

Brasileiros que vieram dos Estados Unidos em outros voos relataram maus-tratos. Na chegada, um deles, que não quis se identificar, disse que muitos passaram fome durante a prisão.

“Tem muitos brasileiros sofrendo lá, passando fome, humilhação. Toda hora um desmaia no chão com fome. A comida lá é um burrito. A comida do brasileiro lá é isso daqui, ó [mostra o burrito que conseguiu trazer]. É de manhã e na hora do almoço. E, à tarde, é um lanche”, contou.

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‘Permanecemos algemados nos pés e nas mãos’, diz uma das brasileiras deportadas dos EUA

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Brasil não aceitava voos fretados com deportados desde 2006

A decisão de não aceitar mais o fretamento de aviões veio em 2006 quando, depois de uma CPI que investigou as deportações de brasileiros, o Itamaraty alterou a política de trato de brasileiros no exterior, incluindo aqueles acusados de imigração ilegal.

Um diplomata ouvido pela Reuters explica que a decisão de não aceitar mais as deportações em massa veio da necessidade de analisar caso a caso e dar aos brasileiros que vivem nos Estados Unidos, mesmo ilegalmente, a possibilidade de reverter a decisão de deportação – o que muitas vezes acontece quando o cidadão tem filhos norte-americanos, uma estrutura familiar montada e às vezes até negócios.

O governo do presidente Jair Bolsonaro tem facilitado a deportação de cidadãos que vivem irregularmente nos EUA. A medida facilita a deportação, em concordância com pedidos do governo Trump. Como mostrou a Reuters em agosto, o governo emitiu um parecer autorizando a volta de brasileiros no país apenas com um atestado de nacionalidade.

Isso porque a lei brasileira proíbe a emissão de passaportes à revelia do cidadão, o que impedia o governo norte-americano de embarcar os deportados sem que eles se dispusessem a pedir um passaporte. No governo Temer, sob pressão dos EUA, foi feito um acordo para que os consulados emitissem o certificado em alguns casos, mas algumas empresas aéreas se recusavam a aceitar o documento até o parecer do governo brasileiro.

Os voos fretados, no entanto, eliminam também esse problema. Não há necessidade de documento para desembarque no Brasil.

O número de imigrantes brasileiros presos nos Estados Unidos tentando cruzar a fronteira pelo México aumentou mais de 10 vezes no último ano fiscal norte-americano (outubro de 2018 a setembro de 2019), chegando a 17.900, contra 1.500 no ano fiscal anterior. Em 2019, cerca de 850 mil pessoas de diversas nacionalidades foram presas tentando cruzar a fronteira dos EUA.