‘Não é por maldade’, diz Bolsonaro a estudante sobre cortes na educação

O presidente Jair Bolsonaro disse, na tarde desta quarta-feira, que o corte de 30%das verbas do Ministério daEducação ( MEC ) não ocorre por “maldade”, mas porque é necessário pagar dívidas deixadas por governos anteriores .

A declaração foi dada em resposta a um aluno de uma escola da zona rural de Cavalcante (GO), que perguntou se poderia contar com ele para mais investimentos na área.

A conversa ocorreu em uma chamada de vídeo, em cerimônia para anunciar a marca de 1 milhão de alunos de comunidades distantes com conexão à internet em banda larga via satélite, por meio do programa Governo Eletrônico – Serviço de Atendimento ao Cidadão (Gesac), do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações em parceria com o MEC .

— Outros governos contingenciaram, cortaram recursos no linguajar popular. Ninguém vai cortar recursos da educação por maldade, é que nós não temos como pagar as dívidas que o Brasil tem, que são muito grandes e por isso esse contingenciamento — respondeu Bolsonaro da sala de reunião do terceiro andar do Palácio do Planalto para o aluno da Escola Estadual Calunga I, localizada em uma comunidade quilombola a mais de 320 quilômetros de Brasília.

O presidente explicou aos estudantes que o custo diário do satélite é de R$ 800 mil reais para os cofres públicos. Segundo ele, o equipamento estava há dois anos sendo utilizado apenas para serviços militares e “meia dúzia de escolas.”

De acordo com o Executivo, desde o início da gestão Bolsonaro, foram instalados no país 3.600 pontos para receber o sinal do satélite, das quais 3.150  são unidades escolares. Até agosto a meta é atingir 6.500 colégios hoje sem acesso à internet e até o fim do ano 10 mil.

Nas oito escolas das comunidades Calunga, 453 alunos são atendidos pela conexão, que fornece link de 10MB/s por meio do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações (SGDC). A instalação das antenas é feita pela Telebras.

— Podem ter certeza mesmo com poucos recursos nós estamos atendendo esse projeto a vocês. Isso custa dinheiro e para vocês não vai custar nada, porque verbas do Ministério da Ciência e da Tecnologia e do Ministério da Educação é que vão manter a internet funcionando aí  — disse o presidente.

Verba, só com reforma da Previdência

Também em resposta ao estudante identificado como Guilherme Dias, o ministro da Educação, Abraham Weintraub, falou que o desbloqueio de verbas está condiciando à aprovação da reforma da Previdência.

— O Brasil estava num momento muito difícil, Guilherme. A gente estava afundando e o Brasil parou de afundar, mas ainda não decolou. O fato de a gente ter parado de afundar permite a gente a fazer pequenos investimentos como esse, mas, para decolarmos, tem um projeto que está na Câmara que chama Nova Previdência — disse o ministro.

Weintraub comparou os investimentos do governo federal à compra de um “novo fogão” que a família precisa esperar para fazer.

— Às vezes acontece um imprevisto e a gente tem que segurar um pouco para trocar uma louça de casa, para comprar um fogão novo. É essa situação que a gente está passando agora, a gente está segurando 5%, a gente não está cortando, a gente está esperando para comprar aquele fogão novo no segundo semestre — disse o ministro.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *