Alunos temem que Olavo caia na prova do Itamaraty

No dia 2 de janeiro, horas após a cerimônia de transmissão de cargo para Ernesto Araújo no Ministério das Relações Exteriores, começou, em uma rede social, uma discussão em um grupo de alunos de um curso preparatório para o Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata (CACD) — prova para o Instituto Rio Branco, porta de entrada do Itamaraty.

Os participantes queriam saber se as ideias do novo chanceler — que incluem críticas ao chamado “globalismo” e ao multilateralismo — iriam influenciar a prova. “Tenho certeza que o CACD vai mudar drasticamente”, escreveu um dos alunos. “A bibliografia vai ser Olavo de Carvalho”, aventou outra estudante, referindo-se ao ideólogo de direita ligado aos bolsonaristas.

Os questionamentos deixaram o mundo virtual e têm inquietado alunos e professores de cursinhos desde que o chanceler empreendeu mudanças na grade curricular do Rio Branco, excluindo uma disciplina sobre América Latina. Os estudantes não quiseram ser identificados na reportagem, temendo represália.

— Está todo mundo apreensivo — diz Guilherme Casarões, cientista política e professor da FGV, que também dá aulas em um cursinho para o Itamaraty. — É normal que os governos promovam pequenos ajustes e inflexão. Agora, no governo Bolsonaro, a grande questão é que não existe uma diretriz bem definida sobre qual é a política externa do governo.

Da Redação com informações do Globo