Vélez não vai a evento do MEC

O ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodríguez, faltou à primeira agenda positiva da pasta desde o início do governo de Jair Bolsonaro. Em evento nesta quinta-feira, 4, reservado a secretários estaduais e municipais de educação, o Ministério anunciou R$ 30 milhões para programas de implementação da Base Nacional Comum Curricular (BNCC). A divulgação foi feita pelo novo secretário executivo, brigadeiro Ricardo Machado Vieira.
Era o que Estados e municípios pediam há tempos. O programa já existia no ano passado e não havia indicação de que ele continuaria na atual gestão. A BNCC foi aprovada em 2017 e determina os objetivos de aprendizagem para cada ano do ensino infantil e fundamental. Sem os recursos do MEC, no entanto, escolas públicas do País não conseguem elaborar seus currículos de acordo com a BNCC e nem formar professores para colocá-la em prática.

Uma versão para o ensino médio também foi aprovada no ano passado e agora o MEC anunciou verbas para esse nível de ensino (R$ 5 milhões a mais dos já previstos pela gestão anterior de R$ 58 milhões). Entre os objetivos estão elaborar itinerários formativos para o ensino médio, assim como pede a reforma do ensino médio, também instituída pelo governo anterior.

Até então, não havia qualquer declaração da atual gestão sobre as políticas tidas como essenciais para a educação atual, como a BNCC e a reforma do ensino médio. Segundo o jornal O Estado de S. Paulo apurou, integrantes do MEC ligados ao guru dos bolsonaristas, Olavo de Carvalho, defendem que o MEC não prossiga com essas políticas. Na apresentação do brigadeiro, no entanto, foi dito que a pasta vai incentivar os Estados e municípios a seguir as novas diretrizes da BNCC.

Não foi mencionado aos secretários porque o ministro Vélez não estava presente. Hoje, um de seus principais assessores (ligado a Olavo) foi exonerado, o que demonstra mais ainda seu enfraquecimento. A intenção dos grupo dos militares era justamente que o brigadeiro Machado Vieira tocasse os programas parados do MEC e impedisse o ministro de entrar em polêmicas.

Mesmo assim, na quarta-feira, 3, em entrevista ao Valor Econômico, Vélez afirmou que os livros didáticos podem ser mudados para ensinar que não houve golpe em 1964 nem ditadura militar. A BNCC indica que na disciplina de História, no 9o ano do fundamental, deve ser discutida a “ditadura civil-militar e os processos de resistência”.

Da Redação com informações da Tribuna

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