“Entrada de Bolsonaro no PSL mostra que estamos antenados com a sociedade e com país”, diz Newton Lins

Por Mário Benisti
Da Redação

Foto: Arquivo / NL

O ano de 2018 começou cheio de novidades na política, mesmo com o recesso parlamentar. Para o Partido Social Liberal (PSL), não é diferente, pois na última sexta-feira (05) recebeu a filiação do deputado Jair Messias Bolsonaro à sigla. O deputado tem nome de peso para concorrer à presidência da República.

Para saber quais as novidades para o ano eleitoral de 2018 que o PSL no Distrito Federal vai trazer, Newton Lins, presidente da sigla no DF deixou um tempinho das férias e conversou com a nossa equipe sobre os rumos que o PSL nacional e local deverá tomar em 2018.
A seguir, trechos da entrevista:

Repórter Mário Benisti: Como o PSL no DF encara a chegada de Bolsonaro à legenda?
Newton Lins: Nos mostra que o nosso presidente, Luciano Bivar (PSL-PE) está antenado com a sociedade e com o país, pois o PSL é um partido que procura acompanhar os anseios da população brasileira. Não tentamos impor mudanças mediante a importação de modelos diferentes da nossa cultura. O Brasil vive hoje a carência de uma visão clara de seu futuro. Antes de qualquer discussão de fundo ideológico, algumas iniciativas se fazem urgentes e imediatas, principalmente quanto à segurança física dos cidadãos que hoje convivem diariamente e acham naturais as manchetes sobre a violência no país.

Antes de tudo é preciso dar segurança às pessoas. A preocupação de um pai de família que não relaxa enquanto seu filho ou filha não retornam para casa depois de suas atividades tem que acabar. Queremos que a violência em nossas cidades se torne exceção. É inadmissível que nossos jornais impressos ainda apresentem cadernos inteiros dedicados aos fatos policiais, conhecidos como página policial. Em países muito mais pobres que o Brasil são raríssimas as notícias que falam de assassinatos. Em nosso país os arrastões não são mais novidade, e isso não pode ser encarado com naturalidade.

Precisamos de uma reformulação na área de segurança pública. Uma candidatura com definição clara a esse respeito é uma opção que não podemos descartar, antes de discussões ideológicas, além da defesa dos valores éticos e morais da família.

 

Repórter: O partido ganha um nome de peso a nível nacional com a filiação de Bolsonaro. Como fica a situação do PSL no DF?
Newton Lins: Vários pré-candidatos me têm feito essa mesma pergunta. Seguiremos avançando com posições claras e sobretudo com a mesma tradição de não permitir a entrada de pessoas comprometidas com ilegalidades. O PSL do Distrito Federal foi o primeiro partido no país a publicar em jornal de grande circulação um edital informando que a filiação ao PSL DF deve ser sempre precedida da apresentação de certidões criminais negativas. Nunca aceitamos em nossos quadros pessoas maculadas por ilegalidades. O PSL DF não é um partido de portas abertas a todos indiscriminadamente. É um partido que sempre selecionou os seus quadros e vamos continuar assim. É importante lembrar que o político que acaba preso não ingressa no Congresso Nacional por conta própria, ele passa primeiro pela porta de um partido político. Se os partidos políticos fossem mais seletivos, do ponto de vista da honestidade do pré-candidato, independentemente da ideologia, o Congresso Nacional teria menos escândalos.

 

Repórter: Aumenta a luta por espaços em cargos eletivos ou continua na mesma estratégia?
Newton Lins: É lógico é que nunca há vagas para todos que pretendem se candidatar pelo PSL no DF. Procuramos analisar cada pré-candidatura com cuidado e por isso é que nunca tivemos ninguém preso ou acusado de corrupção.

 

Repórter: Hoje o senhor é presidente do PSL, mas já teve a oportunidade de comandar uma secretaria no GDF. Quais são os seus planos para 2018? Concorrerá a uma vaga na Câmara Federal ou em outro cargo eletivo?
Newton Lins: Eu já ocupei cargos de primeiro escalão sem ter filiação partidária. Em verdade, sou advogado, gosto de minha profissão e me sinto realizado nela. Não atuo na condição de político profissional, jamais me pendurei em cargos públicos para ter proveito na minha vida pessoal ou profissional. Muitas vezes, acabo até por prejudicar o que gosto de fazer que é advogar, estudar e escrever. Inclusive, precisei parar a atualização de meu último livro por conta de atividades partidárias, mas acho que o cenário atual na política brasileira exige atitudes assim, pois a atividade política é de extrema importância para todos. Quanto a uma possível candidatura a cargo eletivo, de minha parte, meu nome sempre esteve à disposição do partido. Temos valores fundamentais que é não estar com rabo preso a ninguém ou a qualquer fato desabonador e por isso temos liberdade de ação, experiência pública e responsabilidade.

 

Repórter: O PSL já começou a fazer alianças para as eleições de 2018? Se sim, qual? Já tem alguma predefinição?
Newton Lins: O que temos claro no momento é que não queremos o que aí está. O Brasil é um país rico, queremos essa riqueza movida em nosso favor. O Brasil é um adolescente que não se deu conta de seu tamanho e do seu potencial. Precisamos aprender mais sobre as regras do jogo de negócios internacionais de modo a proteger nosso patrimônio integralmente. Aqui não pode ser o maná, o banquete, dos interesses internacionais. Precisamos proteger nosso minério, nosso nióbio, cujas reservas mundiais se encontram basicamente no Brasil, nosso petróleo, nosso manganês, nossas florestas. Sou adepto do mercado, mas sou muito protecionista também.

 

Repórter: Qual será a articulação política da legenda para a eleição de 2018?
Newton Lins:
Lançaremos candidatos em todos os níveis. Sem arrogância e com muita humildade, mas sem deixar de lado as propostas claras, mesmo que sejam consideradas fortes. Sim é sim. Não é não. Não há mais espaço para o talvez.

 

Repórter: Com a chegada de Bolsonaro, aumenta a presença do PSL nos holofotes da mídia nacional e consequentemente no DF também. Cresce também o número de seguidores e em contrapartida, pensamentos contrários ao Bolsonaro tendem a aumentar. Como o PSL do DF vai atuar para ter uma boa relação com o eleitorado no DF?
Newton Lins:
O objetivo imediato de todo partido é atingir o poder. O problema é que nem todo partido que atinge o poder implementa o que diz. Os pensamentos contrários são naturais e decorrentes do ambiente democrático. Vamos enfrentar as discussões com argumentos técnicos, com o mínimo de emocionalidade possível.

 

Repórter: Figuras públicas do DF devem seguir o mesmo destino de Bolsonaro. Como a legenda vai encarar isso?
Newton Lins:
O PSL no DF irá filtrar quem entra no partido, não se admitindo que pessoas com ficha suja se filiem. Quem tiver certidão criminal manchada terá dificuldade de ingressar em nossos quadros de filiados.

 

Repórter: Para finalizar, qual a sua avaliação sobre a administração atual do GDF e como o senhor e a legenda tem trabalhado em prol de um DF melhor?
Newton Lins:
Não torço para que o governo não dê certo e também não sou do time do quanto pior melhor. A minha torcida é para que a atual gestão consiga empreender melhoras para o povo de todo o DF. No cenário das próximas eleições apresentaremos nossas propostas para uma Brasília com sustentabilidade econômica e ambiental, que melhore a vida das pessoas. Estaremos sempre dispostos a ajudar. Acredito que nenhum governador sai de casa dizendo: ‘hoje eu vou fazer mais um dia de mau governo’. O que pode acontecer é se equivocar ou seguir um caminho que consideramos errado. O PSL quer apresentar sua proposta de um caminho seguro para Brasília, com mais segurança, saúde, educação, sustentabilidade econômica e ambiental, mas sobretudo esperança. Estou convicto de que seremos bem acolhidos pelo povo do DF.

 

 

Biografia de Newton Lins

Foto: Arquivo / NL

Nascido na Bahia em 1962, Newton Lins tem como cônjuge a Joacinara Costa. O casal de advogados tem ao todo, três filhos.

O mais velho dos filhos é formado em Medicina na Universidade de Brasília (UnB) e o segundo é estudante de Medicina na UnB. O filho mais novo do casal é estudante da Escola Preparatória de Cadetes da Aeronáutica em Barbacena.

Newton Lins chegou à capital federal com seis anos de idade e passou a infância e adolescência no DF. Se formou em Engenharia Florestal pela UnB e em Direito pelo Uniceub, faculdade particular em Brasília e atualmente conclui Mestrado em Direito Constitucional. O presidente do PSL é autor de diversos artigos voltados para o Direito Eleitoral, publicados em revistas especializadas, além de proferir palestras sobre o assunto no Brasil e também no exterior. Sua trajetória no mundo político iniciou em campanha pelas Diretas Já, quando pode coordenar a ida de estudantes que saíam de Brasília para o primeiro comício pelas eleições diretas em Goiânia, Goiás.

O presidente do PSL também teve a oportunidade de presidir a primeira convenção da Juventude do PMDB realizada em Brasília. A ocasião contou com a presença de Ulysses Guimarães, um dos ícones do PMDB e da política atual brasileira. Newton Lins teve a oportunidade de atuar na Subsecretária de Trabalho do Distrito Federal, na Diretoria da Companhia de Saneamento do Distrito Federal (Caesb), foi também Diretor do Banco de Brasília (BRB). Já atuou também na Secretária de Estado de Assuntos Estratégicos do Distrito Federal.

Newton Lins teve a oportunidade também de ser Presidente Nacional do Partido Social Liberal, em 1998. Já representou o Brasil em missões no exterior e já se reuniu com autoridades, inclusive com o Barack Obama, ex-presidente dos Estados Unidos. O presidente do PSL no DF possui vasto títulos honoríficos em sua carreira pública e em diversas áreas como medicina, segurança pública e outros campos.

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