Em quatro meses, Planalto liberou R$ 1,2 bi em emendas parlamentares

O Brasil viverá o terceiro julgamento político de um presidente em 18 meses, a partir das 9h da próxima quarta-feira, 25 de outubro. A segunda denúncia contra o presidente Michel Temer, e que também envolve os ministros Eliseu Padilha e Moreira Franco, será avaliada pelos deputados em uma sessão que deve estender-se por todo o dia. Em comum a todas elas, está a tentativa não declarada de ganhar apoio dos deputados, via a liberação de emendas parlamentares. Entre junho e outubro de 2016, o governo Temer liberou R$ 1,2 bilhão em emendas. No mesmo período deste ano, foram R$ 6,31 bilhões.

Ao contrário da primeira votação, arquivada pela Câmara no início de agosto, o Planalto não abriu tanto a carteira desta vez. De acordo com dados da ONG Contas Abertas, que monitora gastos no setor público, cerca de R$812,1 milhões foram empenhados dentro do orçamento durante o mês de outubro. O valor é 314% maior do que o do mesmo período do ano passado — quando Temer liberou R$257,9 milhões do orçamento —, mas muito abaixo dos R$2,4 bilhões em julho, mês em que a primeira denúncia foi apreciada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa, e estava sendo preparada para ser avaliada em plenário.

Entre junho e julho deste ano, o governo abriu as comportas para gastos no valor de R$4,4 bilhões, valor 4.400% maior que o montante liberado nos primeiros cinco meses do ano (R$100 milhões). Em 2017, o governo já liberou R$6,5 bi em emendas, mas é errôneo falar que todo este valor foi gasto para salvar Temer duas vezes na Câmara. O padrão atípico nas liberações de valor chamou a atenção do secretário-geral da Contas Abertas, Gil Castelo Branco.

Com informações do Correio Braziliense.