Especialistas aprovam devolução e mudanças no papel do BNDES

As mudanças previstas para o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) são bem-vindas e o banco tem condições de sobreviver mesmo efetuando a devolução de R$ 180 bilhões ao Tesouro Nacional. Essa é uma visão relativamente consensual entre especialistas que acompanham o financiamento de projetos de longo prazo consultados pelo Valor, incluídos aí economistas que já comandaram o banco. Alguns fazem algumas ressalvas sobre a forma e o ritmo para fazer esse pagamento. Destacam que o processo não será indolor para parte das empresas, mas aprovam a medida e apontam alternativas para o banco obter recursos para se capitalizar para novos desembolsos, que eles consideram inclusive saudáveis, independentemente da devolução, como forma de dinamizar a atuação do banco e promover o desenvolvimento do mercado de capitais.

O economista e presidente do Banco Ribeirão Preto (BRP), Nelson Rocha Augusto, diz que concorda com o que vem sendo feito em relação ao BNDES e avalia que o momento é propício, já que ele não enxerga num horizonte de um ano um rali significativo de investimentos em projetos de longo prazo. “Mesmo que tenhamos alguma surpresa em relação a isso, e espero que ocorra, o banco tem condições de lidar com esse cenário”, diz Augusto.

Ele lembra que, só de excluir as empresas muito grandes – do porte de Vale, Petrobras, ou mesmo a JBS – que não precisam do BNDES pois podem acessar o mercado de capitais, o banco já passa a ter uma boa folga. Além disso, há uma perspectiva de convergência entre a nova Taxa de Longo Prazo (TLP) para níveis mais semelhantes aos da Taxa de Juro de Longo Prazo (TJLP) e o BNDES certamente captará recursos no mercado. Por fim, é possível reduzir a carteira da BNDESPar, o braço de participações acionárias. Isso deveria ser feito por meio de vendas de blocos maiores (block trades).

Com informações da Abinee.

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