Estudantes do IFB restauram móveis do primeiro hotel de Brasília

Em 5 de agosto de 1978, uma tragédia acometia Brasília: um incêndio provocado por uma cafeteira ligada há muito tempo levou à fuga dos hóspedes do primeiro hotel da capital federal: o Brasília Palace. O vento espalhava rapidamente as chamas, consumindo vários quartos do estabelecimento. E, apesar de todos terem saído em segurança, a direção do Palace calculou um prejuízo por volta de 30 milhões de cruzeiros, o equivalente hoje a aproximadamente R$ 10 milhões.

 

Aberto em 1958, dois anos antes da inauguração da cidade, o Brasília Palace teve por muitos anos a alcunha de único hotel da capital federal. Foi a segunda obra a ser entregue na cidade concebida no governo de Juscelino Kubitschek, somente depois do Palácio da Alvorada. Segundo Maurício Goulart, arquiteto do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), o hotel recebeu engenheiros e arquitetos que vieram contribuir para a obra, além de hospedar importantes figuras políticas em visitas oficiais à recém-nascida Brasília. Portanto, o prédio contava com tudo do bom e do melhor, sendo que o mobiliário foi planejado por arquitetos especialmente para os ambientes do edifício.

Agora, 39 anos depois do incêndio, os móveis são restaurados pelas mãos dos alunos da turma de oficina de restauro de mobiliário modernista, curso ministrado no Instituto Federal de Brasília (IFB). Segundo Fred Hudson, professor da turma, como os móveis são da época da inauguração do hotel, acumulam quase 60 anos, e estavam desgastados pelo tempo. “Existe uma história por trás desses móveis e nosso objetivo é não deixar que ela se perca”, acrescenta.

Quatro peças, antes guardadas na reserva técnica do Museu Vivo da História Candanga, foram restauradas: uma cama, uma poltrona, uma penteadeira e um criado-mudo, todos de madeira e em uso até o incêndio. “Não dá para precisar quais figuras usaram esses móveis, mas pelo tipo de pessoas que frequentava o local, podemos ter alguma ideia”, conta Maurício. Como exemplo, é possível citar que o hotel serviu como embaixada dos Estados Unidos por mais de 10 meses, de maio de 1960 até março de 1961.

Segundo Maurício, todo o mobiliário que sobreviveu foi retirado do prédio após o incêndio. Até que o mobiliário fosse entregue ao Museu Vivo da História Candanga, em 1990, as peças passaram bons anos guardadas, possivelmente em algum depósito da Novacap. “Os móveis foram retirados logo após o incêndio. Então, até o momento em que chegaram ao museu, sabemos muito pouco sobre o paradeiro deles”, explica.

Com informações do Correio Braziliense. 

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