Dia do Cerrado: área degradada por ano é maior que o território do DF

A savana brasileira pede socorro. Em 60 anos, tornou-se a casa de mais de 30 milhões de brasileiros. É o símbolo da expansão da fronteira agrícola do país e de uma intensa urbanização puxada pela construção de Brasília. A velocidade da ocupação vem se mostrando acentuada a ponto de causar esgotamento ao bioma. Por ano, o Cerrado perde, em média, uma área correspondente a uma vez e meia o território do Distrito Federal. Segundo monitoramento do Ministério do Meio Ambiente, entre 2013 e 2015 foram 18.962,45 km² de devastação. A conta desse descontrole começa a chegar: perda da biodiversidade, seca extrema e escassez de água.

Hoje é dia de homenagear o Cerrado, no entanto, não há muito o que se comemorar. Metade da área nativa não existe mais. Ele não chega a ser o bioma brasileiro mais desmatado — a Mata Atlântica apresenta apenas 12% da formação original. Entretanto, o que preocupa ambientalistas e especialistas é a velocidade da destruição. “O Cerrado já perdeu 50% da área nativa em 50 anos, na Mata Atlântica, são 500 anos de exploração”, alerta Júlio César Sampaio, coordenador do programa Cerrado-Pantanal da WWF Brasil.

Embora o Brasil seja signatário de acordos internacionais de preservação, o país ainda tem dificuldade de cumprir os objetivos. As Metas de Aichi para a Biodiversidade, por exemplo, determinam que, até 2020, pelo menos 17% dos territórios de “especial importância para a biodiversidade e serviços ecossistêmicos terão sido conservados por meio de sistemas de áreas protegidas”. No entanto, o Cerrado só tem 3% de proteção efetiva — de unidades mais restritas como parques e estações ecológicas. Ao somar áreas mais flexíveis, onde é possível algum tipo de exploração, o índice sobe para 7%. “O Cerrado é um filho desprestigiado no nosso país. Precisamos saber que a preservação desse bioma é tão importante quanto a da Amazônia”, analisa Humberto Ângelo, professor do Departamento de Engenharia Florestal da Universidade de Brasília (UnB).

Informações do Correio Braziliense. 

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