Conheça o jogador da NFL boicotado por liderar protesto contra o racismo

O pódio dos 200m rasos dos Jogos do México-1968 é um dos mais emblemáticos da história olímpica. Quando o hino americano ecoou no Estádio Olímpico Universitário, os velocistas negros americanos Tommie Smith (ouro) e John Carlos (bronze) baixaram a cabeça e ergueram um braço com uma luva preta em protesto contra o racismo. Era a entrada da saudação consagrada dos Panteras Negras no esporte, grupo que fez história no combate à discriminação racial nos Estados Unidos. A atitude foi severamente condenada pelo Comitê Olímpico Internacional (COI) e pela mídia e autoridades americanas. Os dois acabaram condenados ao ostracismo e jamais voltariam a disputar uma edição dos Jogos.

Quase 50 anos depois do episódio envolvendo os velocistas, Colin Kaepernick, quarterback do San Francisco 49ers, time da NFL (liga de futebol americano do país), vem sofrendo destino semelhante ao dos velocistas ao protestar pela mesma causa, de maneira semelhante. Há um ano, Kaepernick se recusou a ficar de pé durante o hino nacional executado antes da partida contra o Green Bay Packers. O ato se repetiu 16 vezes naquela temporada. “Não vou me levantar e mostrar orgulho pela bandeira de um país que oprime os negros e pessoas de cor”, justificou. Hoje, sem contrato, ele sofre com um boicote dos 32 times da liga para encontrar outro lugar para jogar.

“Kaepernick é melhor que muitos dos quarterbacks empregados hoje. Os próprios números dele nos últimos anos mostram isso. Está desempregado por uma questão política. Ele está pagando por ter sido o precursor do comportamento e ter ficado sem contrato”, argumenta o vice-presidente da Federação Brasiliense de Futebol Americano, Guilherme Corrêa Rasi. Em 2016, o quarterback de 29 anos foi o 23º melhor da posição na NFL, segundo ranking da ESPN americana. Hoje, ele não está nem entre os 100 que se preparam para a temporada 2017/18 e podem ser cortados em setembro sem que o time o pague um dólar sequer.

A situação tem indignado atletas da liga. Na primeira semana da pré-temporada de 2017, o running back Marshawn Lynch, do Oakland Raiders, e o defensor Michael Bennett, do Seattle Seahawks, repetiram o ato de protesto. Na segunda-feira da semana passada, um grupo de 12 atletas brancos e negros do Cleveland Browns se ajoelharam antes da partida de pré-temporada contra o New York Giants. “Eu prefiro vê-lo se ajoelhar a ficar em pé, colocar as mãos para cima e ser assassinado. Espero que as pessoas abram os olhos para ver que realmente há um problema acontecendo, e algo precisa ser feito para que isso pare”, disse Lynch, em entrevista coletiva.

Com informações do Correio Braziliense.

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